The rockage passed when u got an headache

terça-feira, outubro 23, 2007

SW 07: Day Two

Chegou o dia 2 de Agosto [ daí o dia anterior não ter sido desde logo considerado o "Zero" ], o principio da loucura!!

De pijama com ursinhos, com as nalgas sentadas no espaço do nosso condomínio fechado correspondente à manta que já despertou empoeirada e com alguns dos nossos vizinhos animalescos, esperava a restante comitiva para procedermos à primeira refeição. O leite quente com chocolate em pó e os cereais estaladiços ainda por estrear eram retirados da tenda-mantimento, para satisfazer a fome, através da colher e da tigela.

Iniciava-se a odisseia da lavagem da loiça que, este ano, dava todo o prazer, uma vez que para além do típico jarrican, tínhamos Fairy e esponja com esfregão!! O que significava que, depois de lavarmos a loiça, não ficaríamos com as unhas repletas de esparguete ou com as mãos a cheirar a atum!

Mas esta não seria certamente a única inovação deste ano, muito pelo contrário!

Tentei instituir o uso de uma toalha para as refeições, uma vez que normalmente utilizamos o garfo, o copo, ou mesmo a tigela, para matar as aranhas, formigas e familiares que desavergonhadamente penetram no nosso espaço.

A verdade é que só foi utilizada uma única vez, visto que, na ausência de televisão, se não nos divertíssemos com esta tarefa de coleccionar corpos e patas na bela da manta, rapidamente as refeições tornar-se-iam monótonas.

O banco da caça foi outro elemento extraordinariamente adequado para este festival. Comummente sentaríamos os músculos maiores do corpo no chão com vista na tonificação e dormência, mas este objecto poderia vir a ser útil, mais não fosse, para poupar um rabo por turnos.

O martelo, foi um objecto também novo, não que nunca tenha sido lembrado por ninguém mas, porque o seu peso não justifica a sua utilização e considerando a quantidade de pedras no ambiente em redor, serviria apenas para a incerta prevenção de lesões traumáticas e escoriações..

Foi então assim que o dia continuou depois da lavagem e secagem da loiça e arrumação do material alimentício...

Depois de todas as casas presas ao chão, mal ou bem, após múltiplas repetições de "ESTAMOS SOBRE UM AFLORAMENTO ROCHOSO!!!" ditas pela MR, estacas com vários ângulos e vários dedos esmagados, partimos numa outra missão: praia.

Como sempre se cumpre o ritual e como era necessário comprar mais produtos para a alimentação, seguimos em direcção à aldeóca da Cavaleira.

É necessário referir a presença de um gato preto irritante, que estava na janela por cima da mercearia com os preços mais baixos e melhor oferta. Sim, porque se quebrou a tradição de frequentarmos a mercearia que nos acompanhou há pelo menos quatro anos, em que éramos servidos por uma senhora que o Cunhadito achava muita piada por ter um sinal volumoso com alguns milímetros de diâmetro. A questão é que sempre que, este ano, precisávamos de qualquer coisa, entrávamos na nova, víamos o preço, e depois deslocávamo-nos à outra para comparar preços. Coisa de pobre! O que vale é que, para se chegar à outra, bastava contornar duas esquinas.

Depois de termos o queijo, fiambre, pão, tomates e afins que constituiriam o nosso almoço, lá fomos finalmente para a praia.

A praia, ou buraco no meio das rochas com 50 metros de largura e 10 de comprimento de areia com calhaus à mistura, em que, para aceder ao local, é preciso fazer uma promessa de carregar todo o material para passar um dia na praia com a força dos membros superiores ao longo da descida e subida de cerca de 50 degraus meio desfeitos em pedra, uns com meio centímetro e outros com meio metro, escorregadios por causa da areia e com a ajuda apenas de um pau horizontal de madeira que deveria ser um corrimão. A altura da subida/descida deve rondar os 20/30 metros... amoroso para quem gosta de alturas!

Mas quando se vê.... vale a pena! Água cristalina, rochas a formar uma baía, com peixinhos e plantas aquáticas fabulosas para se fazer mergulho de superfície e deserto...

.... Estava!!! há dois anos quando a descobrimos! digamos que ficámos parvos quando chegámos lá perto e era só carros atirados pela falésia.. O nosso espaço foi literalmente violado!!!

Para não falar que as nossas "WC Maias" no acesso à praia também foram colonizadas, dada a quantidade de montes orgânicos com papel higiénico e toalhetes.. qual chantilly em cima do bolo!.. e as moscas em guerra à volta na disputa do alimento...

Aquela sensação de dormir quando queremos, comemos quando queremos, aparvalhamos quando queremos, dizemos o que queremos, tomamos banho quando queremos, fazemos o que queremos!...

Não, os meus pais não me maltratam, não, não sou a Cinderela em casa e não, não vivo sobre uma ditadura!! Mas a lei da sobrevivência e o espírito selvagem tornam-nos seres soltos no tempo, livres pela natureza e preocupados apenas com o que nos irracionaliza. Para escravos do tempo e do fazer já temos o resto do ano, por isso, o que se procura nestes dias é o esquecer e reciclar os contentores mentais, cheios de lixo de um ano de políticas de alguém e objectivos rascunhados que de nada servem à nossa essência. Palavra de ordem: chill out!

Depois de uma queimadura de 2º grau conquistada para o casamento da minha irmã, jurei nunca mais pôr uma unha ao sol e, para dizer a verdade, nem conseguia! A lembrança ficou marcada a ferros e a sensação passada permanecia. Desta forma, mais uma vez se verifica a "Teoria da panela quente"!

Perto das 18 horas... altura de começarmos a pensar no cartaz e nas bandas que não poderíamos perder.

PALCO TMN
20h00/20h50 - MAYRA ANDRADE
21h10/22h00 - OJOS DE BRUJO
22h20/23h10 - I'M FROM BARCELONA
23h30/00h20 - GILBERTO GIL
00h30/02h00 - DAMIAN MARLEY
02h20/03h50 - MANU CHAO

TENDA PLANETA SUDOESTE
19h30/20h15 - CLAUD
20h40/21h25 - FILARMONICA GIL
21h50/22h50 - LONEY DEAR
23h20/00h20 - CAMERA OBSCURA
00h50/01h40 - WRAYGUNN
02h10/03h10 - THE NOISETTES
03h30/04h20 - 2 DJ’S DO C*****
04h30/05h30 - NUNO REIS


PALCO POSITIVE VIBES
01h00/02h00 - CASSIUS (After-Hours)

Depois desta lista enorme, rapidamente reduzida a três bandas: Gilberto Gil, Damien Marley e Manu Chao, pusemo-nos a caminho do recinto porque o J. chegaria perto da hora de jantar e ainda tínhamos o banho para tomar..

Quando já estávamos perto, observámos qualquer coisa a cair de uma grua tipo buggie-jumping e ficámos estupidamente de boca aberta quando vimos que era um carro, um SMART, com pessoas lá dentro!!! Claro, "TB QUEERRRROOOO!!!"...

Chegados ao recinto, já com a toalha à volta do corpo, biquíni vestido e champô na mão, fomos para o que esperávamos ser uma fila para tomar banho... e era, o problema é que o amontoado de corpos esperava por água!! Como é possível não haver água no primeiro dia?!? Resultado, não tomámos banho....!

No meio desta confusão, quase de noite, chegou o J., o que resultou numa salgalhada de telefonemas, mal entendidos e minutos perdidos... até ao jantar!

O que os leitores não sabem é a categoria do nosso primeiro jantar confeccionado, já a 5... Onde entra o atum, entra a ........... maionese!!! A verdade é que, pelo menos o meu jantar foi sopa de maionese com feijão e uns miligramas de atum! Maionese no SW foi a inovação do ano passado e não mais será ultrapassada!

Depois de jantar fomos fazer o reconhecimento do recinto enquanto começavam as bandas que eu não fazia muita questão de ver, só ouvir de longe.

Eis que está próximo da hora de Damien Marley, que era o único que queria ver mesmo, quando o Erva Doce telefona a dizer que está a chegar.. Fiquei desanimada porque já sabia as horas que ia demorar o check-in.

Passado algum tempo, ele chega e, como queria acelerar o processo, montei a tenda dele acabada de comprar e atiramos os sacos lá para dentro, não sem antes pôr a mantinha para não dormir directamente no chão duro.. 5 minutos e já estava, lá voltámos para o recinto.

Damien Marley só ao fundo, porque o Erva Doce foi introduzido no gang e a comunicação verbal venceu a vontade de irem ver o homem que revelava sangue Bob! A primeira lacuna do festival, sem dúvida!

Tinha passado a tristeza e ia começar Manu Chao que também gostava de ver. Só tenho duas afirmações a redigir deste concerto: estava a ser giro até ao 9º encore e a voz dele tornou-se mais irritante sempre que gritava "Galera" como se se tivesse enganado no continente a sair do avião.. Digamos que não consigo ouvir música nenhuma do senhor nos próximos anos. Só para terem uma noção, nós ficámos a ver o concerto durante cerca de três horas e quando fomos dormir, ele ainda estava no palco...

...foi da forma que o sono apareceu mais cedo para combater o som estridente que permanecia dentro dos meus tímpanos.

Há razão para dizer que foi chichi, lavar os dentes [ com o jarrican entre as pernas a verter, a pasta enfiada no bolso de trás das calças e a escova na boca ] e deitar. Já soube bem deitar neste dia, depois de tudo..

terça-feira, outubro 09, 2007

SW 07: Day One

O que é aquele elemento inspirador com que todos nós sonhamos durante o ano todo para chegar ao verão e termos que estudar aquele papel...?? Não estão a ver? Hum.. eu sei que é óbvio!! É o Festival Sudoeste Tmn!!

É nestes momentos que recordo com tristeza que devem existir pessoas que não adivinharam logo do que se tratava por não terem conhecimento de causa... é triste mas... para o ano há mais!!

Então tudo começou após muita confusão relativamente aos recursos humanos disponíveis e aprovados, o que resultou num grupo de seis elementos: eu, a Fmui, o Erva Doce, a Menina Rita, o Cunhadito e o J.

Como é incomportável estender as tendas no próprio dia do festival e como mais um dia naquele paraíso corresponde a mais uns anos de vida, lá seguíamos nós os quatro (eu, Fmui, MR e Cunhadito) em direcção à Zambujeira do Mar depois de palmilhar o centro da cidade de Lisboa e rede de metro com a minha homónima e as trouxas todas às costas. Foi chato, foi duro, mas mesmo aflitas das costas e suadas, lá estávamos nós felizes e contentes!

Era tanta a excitação, bem merecida depois de um ano de trabalho e ainda com o "study case" pendente no pensamento, que nem adormeci na viagem!! como é possível!? mas é verdade, nem o Bogus me fez adormecer
[ o carro, prutanto.. ].

Depois de muitos quilómetros, centenas de placas com nomes de terriolas e milhares de marcas rodoviárias e de sinalização.. finalmente... estávamos perto!! A paisagem [ vá... já era de noite... ], o cheiro característico de animais, pó e gente mal lavada já se faziam sentir.

Até que chegámos, não faço ideia de a que horas, mas nem queríamos acreditar.. não havia um lugar para estacionar!! Ora bem, era véspera do festival e estavam disponíveis uns quilómetros razoáveis de montes e vales para estacionar... mas não!! Nem unzinho!! Digamos que a falta de luz nesse terreno acidentado e a concentração de pó não auxiliaram nada a tarefa..

Mas não interessa, é o espírito!!

Como não íamos ficar os quatro à procura de lugar, eu e a Fmui fomos trocar os bilhetes pelas pulseiras..

"Hum... onde é que é??" Os fofos decidiram mudar a disposição do festival que, pelo menos há 4 anos sempre foi a mesma!!! Pois bem, lá encontrámos as bilheteiras. Entretanto eles desvendaram um buraquinho onde largar o Bogus e já tínhamos todos as braceletes com algumas trouxas ao pé!

"Boa, vamos entrar!" Entrada do campismo? hum... pois é, na véspera, pensámos nós, ainda não estava pronta! Então a entrada de emergência era pelo recinto. Tivemos que percorrer todo o recinto na diagonal com tudo às cavalitas. Até que entrámos!

Fomos à procura daquele lugarzinho que todo o festivaleiro sonha: terreno liso, perto do recinto, mas longe do barulho, e já agora, com quatro árvores em torno para colocarmos um toldo e estendais..

Digamos que a nossa preocupação deixou rapidamente de ser o lugar perfeito, para passar a ser o lugar! Nem para a direita, nem para a esquerda, nem em frente!!! Não havia lugar!! Já só sentia dor nas costas, os bicípetes a rebentar, pedras nos chinelos e nem a luz do frontal [ esse
grande objecto... ] facilitava com o pó que estava no ar.

O recinto continuava a insuflar a olhos vistos e nós tínhamos uma decisão para tomar: ou íamos para o meio dos eucaliptais em que o terreno é tão mau que não serve nem para fazer uma necessidade urgente, onde o pó é mais espesso e em superior quantidade e ficávamos a uns largos metros do recinto, ou íamos para um sítio onde não estava ninguém, correspondendo a uns metros do parque de estacionamento do ano passado, sem árvores e apenas com um poste no meio, logo sem sombra, que era separado do recinto dos palcos apenas por uma latada e onde, do outro lado estava uma tenda de música!


Demorou, mas decidimos o terreno baldio com barulho e sem sombra porque, ao menos, estava mais perto do carro, uma vez que, entretanto, descobrimos uma "entrada dos fundos" mesmo junto a esse lugar. Positivo? nem por isso.. muita gente a passar junto às tendas é sempre perigoso...


Mas não interessa, ficou decidido! Fomos buscar as coisas, montámos tudo enquanto uns cinco morcões se enfiavam literalmente com as tendas em cima de nós [ é que o espaço estava mesmo vazio... ], comemos o frango que foi comprado há cerca de 12 horas e lá fomos deitar.


A preocupação do Cunhadito de estarmos abandonados no meio daquele lugar contrastou com o facto de eu ter dito que, quando acordássemos, estaria tudo cheio.

Acordar na estufa tipo tomateiro com o sol a raiar e com a Fmui ainda feita bela adormecida, lá me expulsei da cabana para hiperventilar poeira.

Saio, separo as fileiras de pestanas e eis que me deparo com um mar de gente à volta das nossas tendas!!! É que estava intransitável! Mas ao menos, naquele lugar ninguém nos tirava o céu!... Porque no planeta Sudoeste só há pensamentos positivos [ ou falta de pensamento, vá... ].


O pandemónio e um dos poucos caminhos para casa!


E aqui começava mais uma aventura na "terra do nunca"...


domingo, outubro 07, 2007

My return

Parece mentira... três meses sem "postar"!!!!

Acho que mereço perder todos as regalias e atributos de uma blogger para me reduzir assim à base da cadeia bloguista, admitindo não ser mais que umas mera leitora.

Mas muita história correu no tempo e há realmente acontecimentos que não poderão ser perdidos.

Desta forma, seguem-se posts que não terão o cognome de antigos, mas sim de recuperados, que permitirão a segunda vivência das passagens.


Quero apenas partilhar convosco, antes de mais, o bocadinho de mim que muitos sabem existir, mas que não conhecem..... Santa Cruz!


É neste pequeno ponto vermelho no mapa onde tudo se passa...


Mas, como eu penso que ainda não é muito explícito, tomei a liberdade de vos contar a história relativa ao nome da praia que foi a minha segunda casa, se não a primeira, ao longo deste verão...


Apresento-vos a Praia do Navio.

Aqui foi possível aprender a fazer aquela arte de deslizar nas ondas e que é uma fonte de frustração e orgulho.

Horas e horas que desfrutei desta paisagem, dentro daquele mar de esquecimento e em que tudo ganha o seu sentido quando, sentada na prancha a observar o horizonte e à espera daquela onda, me deparo com a mistura de tons alaranjados e vermelhos no céu, de quem se despede de mais um dia.


Queria poder transmitir-vos a sensação de imaginar o litoral terrestre através das luzes que iluminam a noite desde Peniche até Santa Cruz, saber que o horário já arredonda para as 21 horas e tudo o que invade o pensamento é a fé de aparecer só mais uma onda no que parece um manto prateado, para poder partir para terra satisfeita.

..... Magnífico....


Aqui fica então a história prometida:

Poucas serão certamente as pessoas, incluindo a grande maioria dos seus frequentadores habituais, que conhecem a razão de se chamar Praia do Navio a uma área delimitada, situada no prolongamento da zona norte da Praia de Santa Cruz, na freguesia de A-dos-Cunhados.

A designação de Praia do Navio deve-se ao facto de ter encalhado naquela praia, um navio de nacionalidade norueguesa, o Navio Hay, no dia 5 de Fevereiro de 1929.

Por razões desconhecidas, o navio desviou-se da rota em que seguia e após várias tentativas do Comandante para o controlar, veio a embater na Praia. Felizmente, devido à sua perícia e experiência , toda a tripulação saiu ilesa do acidente. Alguma carga que o navio transportava, como cigarros de fabrico inglês, chocolates e outros, foi vendida pelos próprios tripulantes, tendo uma parte da mesma sido objecto de actos de vandalismo, por parte de indivíduos menos escrupulosos.

Algumas décadas após o acidente, ainda eram visíveis alguns vestígios do navio, em maré baixa, que, actualmente, já desapareceram.


(Navio Hay - Arquivo de Adão de Carvalho)


Apenas quero referir relativamente à história anterior que este verão foi possível voltar a visualizar os mastros deste navio, que são um verdadeiro perigoso para os pés da população menos observadora e não conhecedora desta história intrigante.


Se quiserem conhecer mais deste mundo sob a forma duma pequena e honrosa vila, dispõem de toda a informação nos seguintes sites:

Junta de Freguesia da Silveira

Site: Praia de Santa Cruz

Blog: Praia de Santa Cruz

(Este blog vai ser adicionado para os leitores acederem mais facilmente)